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Habitação: Minha Casa, Minha Vida já investiu R$ 125,4 mi em Suzano

Números foram divulgados no 2º Seminário de Habitação, realizado na tarde de sábado (16/6). Evento discutiu os avanços no setor no município e reuniu representantes de movimentos de moradia, de sindicatos e outras entidades

         O Minha Casa, Minha Vida já garantiu um investimento de R$ 125,4 milhões em Suzano. O programa do governo federal, que permite o acesso ao financiamento a famílias de baixa renda, oferecendo descontos e subsídios para a compra da casa própria, tem contribuído para a redução do déficit habitacional no município para as famílias das faixas de zero a dez salários mínimos.

         Os números foram divulgados pelo gerente geral da agência da Caixa Econômica Federal (CEF) de Suzano, César Maronde, no 2º Seminário de Habitação, realizado pela Prefeitura de Suzano no sábado passado (16/6), no auditório do Ambulatório de Especialidades Médicas Dr. Joracy Cruz. O evento, que tinha como tema “Construindo o direito à moradia com participação popular”, reuniu representantes de movimentos de moradia, de sindicatos, de entidades de classe e do poder público para discutir os avanços no setor de moradia do município.

          interna minhacasaMaronde falou que atua no município desde 1999 e observa mudanças nos investimentos habitacionais após a implementação do Minha Casa, Minha Vida. Segundo ele, o valor investido poderá chegar a R$ 200 milhões, se considerados os valores já contratados e ainda não liberados.

          O gerente geral do banco também destacou que, do valor já liberado pela Caixa, R$ 68 milhões correspondem à faixa de famílias que recebem entre 0 e 3 salários mínimos. Para elas, estão destinados os residenciais Esmeralda e Topázio, no Jardim Europa, cada um com 378 unidades, previstos para serem entregues neste segundo semestre; residenciais Nova América I e Nova América II, que somam 280 unidades, em construção no bairro de mesmo nome; e o residencial Santa Cecília, na região do Jardim Margareth, que também terá 280 unidades.

          O secretário municipal de Política Urbana, Miguel Reis Afonso, falou no 2º Seminário de Habitação de Suzano da necessidade de consolidação da política pública habitacional, para que os avanços já conquistados tenham continuidade. Ele colocou que este será o principal desafio do Conselho Municipal de Habitação, cujos representantes da sociedade civil para o biênio 2012-2014 foram eleitos no final do evento.

         Segundo Afonso, a questão fundiária foi a que permeou os dois mandatos do prefeito Marcelo Candido. “Suzano está passando por um processo de especulação imobiliária nunca antes visto”, disse ele, referindo-se ao alto valor da terra, que impede a sua aquisição e afasta empreendedores para a construção de moradias, principalmente as voltadas para a baixa renda.

          O secretário afirmou que a rejeição da Câmara de Vereadores do Plano Diretor Revisado, apresentado pelo Executivo por duas vezes, após ser elaborado de forma participativa, impede que o município tenha instrumentos eficazes para combater a especulação imobiliária. “Encontramos obstáculos enormes por parte de alguns vereadores e de setores da sociedade que não querem a reforma urbana”, disse. “É um desafio que ficará para o próximo governo municipal”, concluiu Afonso.

Cenário nacional
          O arquiteto da Universidade de São Paulo (USP), Renato Cymbalista, abriu o 2º Seminário de Habitação de Suzano apresentando um panorama da questão habitacional no Brasil. Segundo ele, houve grandes avanços no cenário nacional, impulsionados com a primeira gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando foi criado o Ministério das Cidades: “Estamos num momento completamente diferente de dez anos atrás. Um momento de grandes oportunidades e desafios”, afirmou. “As novas políticas habitacionais estão conseguindo combater o déficit de moradias”, completou.

          Cymbalista destacou a necessidade da existência de uma política fundiária que permita que o poder público, os movimentos sociais e os conselhos de habitação tenham uma atuação ativa frente à expansão imobiliária. “Esses investimentos em habitação podem melhorar ou piorar [a cidade]. Por isso, estes segmentos devem estar de olho neste processo, para fortalecer os aspectos positivos e deixar de fora os negativos”.

          O arquiteto também falou da importância da existência do Conselho Municipal de Habitação: “Debates em instâncias como esta fazem a diferença. Às vezes, pode não ser no aqui e agora, mas contribuem com a construção de uma nova mentalidade. A sociedade está sempre em disputa e os valores precisam ser trabalhados”, disse.